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sexta-feira, 11 de março de 2011

Nostalgia


Quando comecei a ver navios nem imaginava que pudessem existir
pessoas que gostassem disso também, não da maneira esquisita como
era a minha, olhando de longe, no máximo com uma luneta, andando
por uma praia muitas vezes completamente vazia, parecendo só minha,
anotando nomes, pesquisando bandeiras e desenhando... desenhando
absolutamente tudo o que via, e sinceramente não sentia falta alguma
de alguém comigo para fazer tudo isso, era uma diversão que na minha
cabeça era exclusiva, quase uma descoberta.

Com o tempo vi que não era bem assim, outras pessoas gostavam disso
também, cada uma a sua maneira, e a coisa toda começou a perder muito
do seu encanto, os cenários também não eram mais os mesmos e os navios
que antes tinham todo um significado especial para mim, começaram muitas
vezes a passar como mais um no dia.

Vi por anos fundeado em frente a minha casa o "Vidal de Negreiros",
era possível e completamente normal dar "bom dia" à ele diariamente,
conhecia seus irmãos, e sentia saudade quando um deles ficava muito
tempo sem me visitar, tal era a minha relação de intimidade com o que
eu via e o quanto era tudo tão diferente.

Dos navios podemos gostar a vontade, é algo que parte só de nós
mesmos, possívelmente eterno, não nos retorna em stress, frustrações,
perdas, falsidades, esses são sentimentos que só sentimos quando
estamos cercados de pessoas, que muitas vezes acabam quase estragando
tudo, mas quando isso acontece penso sempre em como tudo começou e
renovo minhas energias e motivações, afinal faço isso tudo porque me
sinto bem, não escolhi fazer, surgiu sem muita explicação, a gente não
tem muito como explicar um "gostar".

Talvez muitos não entendam o que eu esteja tentando passar, sou meio
complicado mesmo, talvez alguns nem tenham esse gostar como eu, outros
nem se importem em ter, alguns tenham até mais, ou acreditem ser besteira
tudo isso, tanto faz, sou como uma esponja, infelizmente, e por isso
muitas vezes fico tão nostálgico, lembrando de coisas que eram realmente
boas, meio mágicas mesmo que fossem só na minha cabeça, sem nenhum tipo
de sentimento ruim ao meu redor, era simplesmente gostar, mesmo que sozinho
numa praia completamente deserta.



Rafael Ferreira Viva
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