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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Vale estuda possibilidade de construir navios no Brasil



A Vale mantém aberta a possibilidade de construir navios de
minério de ferro no Brasil, apesar de ter hoje em seu portfólio
a previsão de receber até 2013, 35 grandes embarcações que
farão o transporte do produto até os clientes, sobretudo na Ásia.

A empresa negocia com o Estaleiro Eisa, do grupo Synergy,
tentando tornar viável a construção desse tipo de navio no país.

Nos últimos anos, a Vale tentou, mas não conseguiu colocar
essas encomendas em estaleiros nacionais, o que levou a empresa,
em 2008, a contratar a compra de 12 navios na China, por US$
1,6 bilhão. A decisão foi duramente criticada pelo ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e contribuiu para o desgaste de Roger
Agnelli junto ao Governo.

No último dia 5 de maio, Agnelli, cujo mandato termina dia 21,
visitou o primeiro dos navios encomendados na Ásia a chegar
ao Brasil. Além das embarcações chinesas, a Vale mandou
construir sete navios, por US$ 748 milhões, no Estaleiro Daewoo,
na Coréia do Sul. A primeira embarcação entregue, batizada de
“Vale Brasil” e bandeira de Cingapura, esteve fundeada perto das
Ilhas Cagarras, arquipélago rochoso situado na frente da praia de
Ipanema, zona sul do Rio, e seguiu para o terminal da Vale em
Ponta da Madeira, em São Luís (MA), onde no dia 22 fará o
primeiro carregamento de minério destinado à China.

O “Vale Brasil” é o maior navio de minério do mundo, com
capacidade de carregar 400 mil toneladas. Além dos 19 navios
comprados na Ásia (12 na China e 7 na Coréia), a empresa fez
contratos de longo prazo para utilizar 16 embarcações que estão
sendo construídas por outros armadores fora do Brasil. Agnelli
disse que os navios fazem parte de estratégia montada pela
mineradora para reduzir a volatilidade nos preços dos fretes
marítimos no mercado transoceânico de minério de ferro.

Agnelli afirmou que a estratégia de investir em frota própria e
contratada já permitiu ao Brasil ter um acréscimo de US$ 4 bilhões
na balança comercial ao longo dos últimos dois anos. Isso foi
possível, segundo ele, porque, de forma simultânea à construção
dos navios na Ásia, a empresa fechou contratos de longo prazo
para afretamento de navios. Desta forma, contribuiu para reduzir
a volatilidade dos fretes, enquanto o preço do minério subia,
dentro da nova sistemática de reajustes trimestrais. Assim, houve
uma transferência de parte daquilo que antes era pago aos armadores
estrangeiros nos fretes para o preço do minério de ferro.

“O objetivo dessa estratégia é reduzir a volatilidade dos fretes com
uma oferta de frota estável”, disse José Carlos Martins, Diretor-
Executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, presente à
visita ao “Vale Brasil”. Eduardo Bartolomeo, Diretor-Executivo
de operações integradas, informou que a Vale vem conversando
com o Eisa para resolver dificuldades para construção de grandes
navios de minério no país. O Eisa planeja fazer um estaleiro em
Alagoas, mas na visão da Vale há espaço para ampliar o polo
naval de Suape (PE), com mais um estaleiro.

No local já funciona o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). O EAS
chegou a ser consultado pela Vale para construir navios de minério,
mas não atendeu a mineradora em termos de prazos e custos.
Segundo a Vale, a oferta do EAS para fazer o navio de minério foi
de US$ 236 milhões e a construção do navio só começaria em
2015. “Fizemos onde era mais eficiente fazer (na China e Coreia)",
disse Agnelli.

Na entrevista com um grupo de jornalistas a bordo do novo navio,
Agnelli fez um balanço de sua gestão. Disse que tem mantido
reuniões com o futuro presidente da Vale, Murilo Ferreira, com
quem já conversou, entre outros temas, sobre as bases do orçamento
da empresa para 2012. Ele negou a informação noticiada que tenha
se desentendido com Ferreira, quando este ainda era Diretor da
empresa, por discordâncias relacionadas à compra da mineradora
suíça Xstrata. "Não existiu isso. É algo que de tanto repetir acaba
virando verdade. Nunca fizemos proposta para a Xstrata", afirmou.

Ele disse que enviou carta sobre o assunto à Diretora de Redação do
Valor, Vera Brandimarte. "Ela tem a carta que eu mandei sobre todos
os eventos [relacionados à Xstrata]. Só que Vera Brandimarte insiste
em ignorar essa carta, mas é um direito dela.” Agnelli também
afirmou ser inverídica informação segundo a qual o conselho da Vale
o teria impedido de fazer oferta pela Xstrata. “Não é verdade. Digo
com toda franqueza e sinceridade, é mentira o que escrevem no Valor”.


Fonte: Valor Econômico
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